
Quando o Mundo Era Barro e Oxumarê Já Dançava
Dizem os antigos, os que pisaram a terra do Dahomé antes da grande travessia, que no começo de tudo, quando o mundo ainda era barro mole nas mãos do Criador, Oxumarê já estava lá. Ele não caminhava, ele serpenteava. Não falava, ele sussurrava no vento. Não morria, ele se renovava, trocando de pele como a cobra sagrada que carrega no nome. Na tradição Jeje, ele é Dan, a serpente cósmica que enrola o universo e o sustenta para que não desmorone. Já no candombléKetu, os Babalorixás e Yalorixás de sabedoria contam que Oxumarê é o mensageiro que leva e traz, que conecta o Orun ao Aiyê, que faz a prece do filho de santo subir e a bênção do Orixá descer.
O Arco-Íris que Pousou no Terreiro
Eu me lembro como se fosse hoje: uma tarde de chuva no terreiro, o céu se abrindo em cores depois da tempestade, e minha Mãe de Santo apontando para o horizonte e dizendo: “Olha, meu filho, é Oxumarê passando, abençoando a terra”. Naquele momento, entendi que o arco-íris não era só um fenômeno da natureza. Era a assinatura do Orixá, o sinal de que ele estava por perto, tecendo caminhos, movimentando energias, trazendo prosperidade. No candomblé, cultuamos Oxumarê com cantigas que falam de movimento, com danças que imitam a serpente, com oferendas de milho, mel e frutas doces. Na umbanda, ele chega como entidade de luz, curando, orientando, ensinando que a verdadeira riqueza está no axé que circula entre nós.

As Cores que Oxumarê Vestiu para Nos Encontrar
Oxumarê não usa uma cor só. Ele é amarelo como o ouro que brilha no sol, verde como a esperança que brota na terra, rosa como o amor que cura. Quando você vê essas cores juntas, lembre-se: é ele passando, é ele te chamando para dançar, para se mover, para não ficar parado esperando a vida acontecer. A saudação “Arroboboi” não é só uma palavra. É um chamado. É você dizendo: “Eu te vejo, Oxumarê. Eu te honro. Eu me movimento contigo”. E quando você saúda assim, no terreiro ou no silêncio do seu quarto, algo se mexe. Algo muda.
Como Saber se Oxumarê Te Escolheu
Muitos me perguntam: “Como eu sei se sou filho de Oxumarê?”. Eu respondo com outra pergunta: “Você sente que precisa estar sempre em movimento? Que não consegue ficar parado? Que as mudanças, mesmo difíceis, te fortalecem?”. Se a resposta for sim, pode ser que a serpente sagrada já tenha te marcado. Claro, só o jogo de búzios, nas mãos de um Babalorixá ou Yalorixá de confiança, pode confirmar. Mas os sinais do corpo, da alma, do coração, eles falam alto. Pessoas de Oxumarê são resilientes. São adaptáveis. Têm um brilho nos olhos que atrai oportunidades. Não gostam de estagnação. Gostam de fluir.

A Riqueza que Oxumarê Ensina
Oxumarê é o Orixá da riqueza, mas não daquela que enferruja no cofre. É a riqueza que circula, que gera vida, que move sonhos. É o dinheiro que entra e sai com propósito. É a ideia que vira projeto. É a conexão que vira oportunidade. Em tempos difíceis, a gente clama por Oxumarê. Mas ele não responde com mágica. Ele responde com movimento. Ele te empurra para frente, te dá coragem para mudar, para recomeçar, para acreditar que depois da tempestade sempre vem o arco-íris.
Para Levar Oxumarê no Peito e no Dia a Dia
Se você sente que Oxumarê já faz parte da sua vida, ou se está começando a sentir o chamado da serpente sagrada, saiba que há um caminho. Um caminho de fé, de movimento, de comunidade. E se você quiser levar um pouco dessa energia para o seu cotidiano, para o seu terreiro, para a sua casa, conheça o acervo do Protegidos pelo Axé. Temos peças que vestem a fé, que decoram o sagrado, que registram os sonhos. Porque o axé de Oxumarê deve circular, e vestir a todos. Que Oxumarê enlace seus caminhos com prosperidade. Que a serpente sagrada proteja seus passos. Que o arco-íris seja sempre seu sinal de esperança.
Arroboboi!
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